Morra sem celular,
molhado de chuva
chupando uva
ou a língua da garota
dos olhos de estrela.
Morra com dívida ou saldo,
Não se prenda pelo tamanho do salto.
Morra sorrindo ou chorando,
Mas morra amando.
Morra fumando ou bebendo,
Arrastando um vazo ou fudendo,
Mas morra com prazer.
Prazer de ter vivido.
Morra com as mãos e pés
Em seus devidos lugares.
Quem dê a sorte de morrer
Na Bahia, comendo acarajés.
Morra sozinho no seu banheiro,
Ou num avião cheio de sacos de merda,
Ou no apocalipse, ao lado de seu grande amor.
Morra num chiqueiro.
Mas viva intensamente
Cada segundo de sua vida,
Por mais idiota que você possa ser,
Ninguém liga pra decência dentro do caixão.
Ame uma pessoa loucamente
E lhe entregue as mãos servidas
Com todo o seu ser, de todo o seu coração.
Jure morrer em paz.
Porque até um poema morre,
Paulo Subbotin