domingo, 21 de dezembro de 2014

Morra



Morra sem celular,
molhado de chuva
chupando uva
ou a língua da garota
dos olhos de estrela.

Morra com dívida ou saldo,
Não se prenda pelo tamanho do salto.
Morra sorrindo ou chorando,
Mas morra amando.

Morra fumando ou bebendo,
Arrastando um vazo ou fudendo,
Mas morra com prazer.
Prazer de ter vivido.

Morra com as mãos e pés
Em seus devidos lugares.
Quem dê a sorte de morrer
Na Bahia, comendo acarajés.

Morra sozinho no seu banheiro,
Ou num avião cheio de sacos de merda,
Ou no apocalipse, ao lado de seu grande amor.
Morra num chiqueiro.
Mas viva intensamente
Cada segundo de sua vida,
Por mais idiota que você possa ser,
Ninguém liga pra decência dentro do caixão.

Ame uma pessoa loucamente
E lhe entregue as mãos servidas
Com todo o seu ser, de todo o seu coração.

Jure morrer em paz.

Porque até um poema morre,
Com um simples ponto na folha.

Paulo Subbotin

domingo, 16 de novembro de 2014

Nota qualquer

''Quando eu digo ''o inferno é aqui'', eu imploro por uma flecha ou pedra vir do céu me acertar e encerrar essa vida, em queda, carnal. Todos os dias quando eu acordo e tomo meu café e fumo meu cigarro, eu gostaria de estar no meio de um terremoto letal, quando estou indo para o que chamam de trabalho o que na verdade se originou da masturbação mental de alguns homens para acariciar seus egos vendo os outros milhões tornarem verdadeiros zumbis a seu favor, eu imploro para que o treme descarrilhe e saia dos trilhos entre as estações santana e carandiru (que'u esteja no primeiro vagão, no primeiro banco), quando eu vejo crianças pedindo moeda, comida, vendendo bala, a merda que seja, e os outros dizem não e eu também, espero que as paredes mais próximas desabem sobre nós. Quando dizemos sobre Deus, eu sinto essa coisa vindo de dentro da terra como se fossem raízes saindo do chão e adentrando os meus pés, invadindo meu corpo e esmagando meu cérebro, acabamos esquecendo que se Deus é alma, coração, fé e amor, é mais lógico calar-se e contemplar toda a criação em silêncio e entender a mensagem que existe para você e cada um tem a sua mensagem, que tudo isso forma o grande texto da vida. As vezes eu desejo sair de casa e me deparar com um avião, em sua queda, na minha frente, porque o paraíso para mim é qualquer que não seja este, porque não quero passar a vida eterna aqui, mas preciso evoluir, preciso caminhar, as marulhas não param de surgir, as vezes erguidas até por outros . . . mas ai vc aprende a ver o problema do próximo, escuta a voz que é falado do coração e é escutada com o coração, que lhe faz a coluna estremecer e sabe que ali existe verdade. Sente que ainda é possível acreditar no amor, mesmo que alguém não o sinto, não o veja, nem mesmo o queira. Não adianta falar de Deus e não fazer o bem, por isso eu digo, confio mil vezes meais num ateu que resgata um animal da rua, do que num cristão que abandona um animal na rua, mas gostaria que todos recolhessem desse cobertor de maldade invisível, que como uma esponja que suga nossa energia, seus melhores pensamentos e os direcionassem para quem precisa mesmo, sei que a sequência de pensamento vai se confundindo ou perdendo, mas é isso que me encontro, aqui no Planeta Terra . . . e o sono é o mais agradável de todos os efeitos de ter sido colocado dentro de um corpo.''

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Batida de Sarjeta

Na havia batida,
nem vodka,
naquele coração
dentro daquele corpo
estendido no chão,
só havia memórias . . .
De partidas, idas e vindas,
despedidas.
Quem não mantém
o princípio dentro de si
ao mundo fica
perdido e sem amém.
O espirito fica feito peixe
procurando caminhos
no oceano do mundo do além.
Quanto mais se bebe
mais se pode sentir
o vazio . . .
da alma
ou da barriga,
que agora pede, com o corpo vivo,
um prato cheio.

Paulo Subbotin

domingo, 12 de outubro de 2014

Cerveja Quente

Desenfreadamente desceu a única rua
nem se viu com o olhar alheio e nem mesmo
procurou esconder-se da alfa luz fumada pela lua
passo a passo atentou-se a não ficar a esmo,
sua cabeça implorando, com respiração imponente,
cada poça de oxigênio pelos ambientes
para manutenção do cérebro que enxergava todos conscientes,
o retrocesso crescia mais suas horas de vida
a cada segunda que seguia em frente.

Viu-se então, por todos, o seu horizonte
na mutação que é a desilusão
não era uma questão de aposta com um simples mastodonte
mas um flerte arriscado, para nada, com a vida
que essa por si só é o nosso verdadeiro perigo
quando não se vê o que se fez da ida.

Carburou toda sua realidade
por meras ilusões alheias que mostram-se mentira,
aceitou-se então a busca sem fim pela sua alma
e dissimulando o cagar e andar, bebeu a verdade
e de verdade, mas não possuía ira,
mas sim uma sede de ver a conspiração que organizavas-se
com calma.

A viagem de dez minutos não tinha fim
era um trilho que por onde passou olhando pra frente,
o que era deixado pra neblina do passado
foi sumindo conforme o dia nascia enfim.

Acomodou-se a necessidade de descansar
para poupar-se pro novo caminhar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Graça

De minuto a minuto
Estava à procura de alguma graça,
No meio de todo esse caos da vida
Não só a minha mente, mas também,
Minha alma assa.
O início é perdido a quase todo instante,
Já que cada segundo que se passa
É uma porta para uma nova dimensão
Que a nós, assa.
Deflagrado desde sempre foi
Que cada um, dentro de si, tem seu tempo
E procura aqueles que estejam
De acordo com seu movimento.
Passou entender que muitos
Não procuravam o sentindo disso tudo,
Mas só uma alegria, um sorriso sem queda.
O sermão de um mudo.
O choro de um cego.
A música de um surdo.
O medo de uma vida,
Tira não da vida um
De seus maiores dons,
Como também seus sons,
O poder de achar em cada
Canto sujo e mal lavado
Um cadinho de graça.

Paulo Subbotin

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Turvo

Não era o pesar do encerramento
que me preocupava, não esta explosão,
mas sim o silêncio que precedia o fim
e não deixava rastro de compaixão.

Minha cabeça caótica
não fundira-se
com a vida metódica.

Aconchegava-me o abrasivo
gosto de vinho barato
que me fazia pensante no futuro
de casa, meu, ato.

Chegava a noite quieta
para escutar cada súplico meu,
para oxigenar e ver o rosto teu,
te ver não era minha meta.

Te ver é uma canalização
dentro de minha visão
saindo desse afugentado coração
e voltava nessa estrada
de realidade e subjetividade
de cada segundo ao lado de tu,
esse foi-me o quadro
que me representa
a realidade.
que por mim
jamais sentida
foi.

Paulo Subbotin

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

9:15

Cigarros e café era diurnos, matutinos e noturnos,
todos encaixados em seus devidos turnos.
Porém o maior prazer estava nos matinais,
eu não comia mais com o leite os cereais.

Trabalhava seis horas por dia, em todos eles,
menos em um que era para dar a poesia uma garantia.
Bebia regularmente com espaço de tempos pouco extensos,
a vida tinha que ser mais do que isso, eu já sabia.

Passei a então a projetar-me na vida,
indo e vindo, conhecendo, tentado entender a partida
e fica a respirar no velejo do vento.

Minha garota estava longe, eu a beijara em sua ida,
eu e meus amigos aqui na loucura da matina.
Minha garota estava em minha, só que em seu tempo.

Eu aqui.

Paulo Subbotin

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Bohemia

'Quem és tu
que se veste
desse céu nu !?

Que mulher você é
que a mim não se deixa esquecer,
nem morrer !?

Eterna amante
que deixa o zipper da minha calça
pensante.

Saio de casa a sua procura
nas suas garrafas.
de loucura.

Marquei cada lugar
que nós dividimos o mesmo ar.
Ah, o lembrar.

Hoje quando olha pro alto,
fico te vendo de lugar pra lugar,
de salto em salto.

A noite vem
e fico a vida contemplar,
é tudo, pois bem.

Paulo Subbotin

domingo, 31 de agosto de 2014

Antes do pé tocar o asfalto

Gosto dos dentes amarelos,
da pele branca cortada, que outra hora
foi palco do sangue de honra
que representou alguns elos.

Uma pena eu sempre estar sozinho,
mas a vida é esse majestoso e
impiedoso, sábio, moinho.

Do meu caminhar torto no chão,
e não muito diferente na vida.
Eu clamava e brigava por razão,
por sempre estar de partida.

Gostaria de manter-me com alguém,
só que parece que nasci pra ser meu,
mas vejo algo, alguém no mais além.

A cama dela encharcada com 
o perfume do suor de seu corpo,
sempre me perguntei o que se escondia
dentro daquele sorriso de menina atrevida.

Mas eu sempre fui o sarjeta,
a noite sempre me abraçou e me amou
fazendo que nenhuma mulher se intrometa.

Depravo espiritualista cretino sangue bom,
eu sabia, por toda prática, que comigo havia um dom,
mas que, por céus, diabos era isso eu estava por descobrir,
mas por hora eu sempre tenho que ir.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Cheiro de Cigarro

Ela parecia um bistrô,
era toda cheias de retoques
desses de época retrô,
queria saber seu caminho do metrô.

Porque até então
eu só sabia em que ponto
ela descia do busão.

As pontas do cabelo
parecia a própria Fênix,
ela por si tem muito zelo.

Mas do que importava
tanta indagação ?
Eu só queria saber o que
nos em seus fones tocava.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Cigarro

Eu
procurava
no que se podia ver
da vida dela
algum resquício
meu.

Procurava alguma
linha que'u reconheceria
como uma memória minha
mesmo que fosse
de pluma.

Fotos, escritos, qualquer coisa.

Me senti uma bigorna
atravessando dia e noite,
varando cada hora.

A ansiedade se fez presente.
A demência, a paciência, ausente.

Não bebi um copo se quer.

Enxerguei com sobriedade
que'u estava onde não se vê,
lugar onde não há vaidade.

Comecei a perceber que
saudade não é só vontade.

Que amor não é só alegria,
que cada verdade pode ser
protegida por uma mentira.

E o homem não é feito
só de exatidão, paixão.

O que seria da humanidade
sem a mais bela ambiguidade ?

Tudo isso na espera de um cigarro.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre Mulheres e Garrafas III

Para as que vi
e as que não me viram.
Para as que amei.
Aliás, amo todas.

Vocês não me levam
a sério, ou
eu que não sei
o que é sério ?

Me endivido com vocês,
permita.
Pago com amor,
sempre que pedirem.
Seja a hora que for.

Deixe-me entrar
em você,
pago com amor e
tu que esqueça a dor.

Financie esse amor meu
somente com o teu.
Dos sentimentos sou proteu.

Paulo Subbotin

Sobre Mulheres e Garrafas

Mulheres são lindas,
também quando mentem.
Elas, sem olhar,
não sei como se entendem.

Mulheres são lindas,
quando transam.
Fingindo ou não,
gosto de ver quando gozam.

Mulher é linda,
quando surta.
parece até gaivota.

Mulher é linda,
quando morre.
Mas prefiro pratos quentes.

Paulo Subbotin

Sobre Mulheres e garrafas

Em belas coxas
gostaria de ter
as minhas mãos,
ou o garfo.
Enfim, comer.

Falar sujamente
igualmente
ao pensar.
Imaginar sem
simbolizar
o que aconteceu
ao transar.

Pernas e garrafas
abertas.
A ordem dessas
não importa.

O que a garrafa tem,
elas não.
Esse o que pode
me levar o que
elas possuem
e o inverso !?

Acabaram
em vários versos
no universo do animal
racional.''

Paulo Subbotin

Da Fazendinha

''Triste corote,
fico feito coiote
à sede do deserto.

Não é fácil,
no calor quem lembra
o que é
certo !?

A primeira vez,
é certo dizer que,
será  sempre,
é a primeira vez ?

Mais linha até
a meia noite
Ser forte, fazendo um forte.''

Paulo Subbotin

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Toque

''A brincadeira
que disfarçava
o querer da carne
com infantil bandeira
foi o intervalo
que sempre 
antecede o
penetrar 
das palavras no
transmutar 
da conversa 
do corpo.

A manhã fria
que me aguardava
fez contraste com
a minha mente 
que esquentava
por cada segundo
que o filme da
noite anterior
me fazia ver
o ser humano
imundo
que podemos ser.

Eu me sentia bem 
porque sabia
que nesse barco
sempre tinha mais alguém,
se não todo mundo
passando por dentro
desse arco
chamado consciência.

Pecado, como tu é belo !
Como tu ao mesmo tempo
que me empurro
para fora 
e me puxo
para dentro 
dela.
Minha sã demência.''

Paulo Subbotin

domingo, 17 de agosto de 2014

Uma Noite de Vinho Pecado

''O rosto dela
era tão fino,
quanto uma faca,
 e parecia gritar
algum hino.

Fiquei queto,
percebendo sempre,
porém assistindo,
o seu aproximar
inquieto.

Pelas garrafas de vinho,
''Saúde'' eu digo
Brindando ao pecado
que não se faz sozinho.

Da saliva embrigada
até a queda
das escadas,
impressionei-me
com a velocidade
da confusão.

Não há o que fazer
além de esperar
outros dias
de diversão.''

Paulo Subbotin

domingo, 10 de agosto de 2014

Uma Foto Não Tirada de Uma Flor

''Imagem é apenas imagem,
sendo que
o que eu fiz
foi muito mais além
do que qualquer
poema poderia
deflagrar cada gota
de sangue que aqueceu-se
ao contato do lábio
do beijo guardado.
Quase sufocado.

O mesmo convite
de entrada de
uma vida em outra
é também uma,
de viagem,
despedida.

Mais
além do
rabiscar
indescritível do
amar.

Muito
além do
raciocinar
indescritível
do amor.

Isso é sentir.''

Paulo Subbotin


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Não há.

  ''Não importa a droga que dessem aquele menino, ele sempre iria continuar a sentir aquela panela de pressão dentro de seu peito, os pregos em suas veias, a navalhas em sua garganta e as marretadas na cabeça. Por Deus, eu não aguentava me olhar no espelho e ver esse menino. Procurava um amor sossegado, mas só era pisoteado por mil gados. Poderia ter mil amizades, mas foi traído por mil covardes. E hoje, dizem que ele é um chato. Eu diria que esse menino só se tornou, consigo mesmo, um sábio.''

Sem Título

''RAIOS QUE REPARTAM AO MEIO,
FOGUEIRAS QUE TOSTEM,
ESSES MEUS DEVANEIOS !

Como é que consigo
não lamentar
por essas ruas andar e
em voz alta falar
ao vento as mais belas poesias
sem ter um algoz
mesmo que esse seja
meu súdito caderno.

Sinto o ar de nojo de mim
porque fazer essas coisas
sem um idealístico fim.

Fui, e também voltei,
sozinho,
mas no caminho de encontro
ao meu lar, tive que tirar o gosto
do nojo de minha boca
com um vinho.

Tive que tostar minhas papilas
com o cigarro em carburação.
Saturado de coisas alheias
que eu não deveria ter
em minha visão.

Hoje mandei pro inferno
aquele não tem noção
do perigo que é prum cão.
Tomara que fique sem roupas
e molhado no inverno.

Que morra, sem compaixão.
Não sou herói
e muitos menos
estou aqui pra salvar alguém.
Amém.''

Paulo Subbotin

terça-feira, 1 de julho de 2014

Bobagem 01

''Aquele instante parado
em que o pé está pra tocar o chão
mas só há um fio dentro de tu,
e não é o sistema cardíaco que
está ligado na razão, nem o nervoso.
Parece epilepsia sentimental,
esse vazio no peito não sei dizer
se é a minha cova
ou falta do que fazer.''

Paulo Subbotin

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Vinho no Cais

Não sabia
o que havia
em meu peito
que sentia sentia
por dias já esculhambado.
Eu estava assustado,
com falta de ar
de chão, de mim.
Farpa !
Queria ser navio
que zarpa da Terra,
pra longe Dela.
Pois sabias que estávamos
no mesmo plano.
Como oceano queria
cobrir meu vazio
todo dia !
Quando retornar
ela poderia estar
aguardando no cais
da vida.
Também poderia
lembrar, de mim, nunca mais.

Não sabia
o que era !
Mas não estava me judiando.
Estava, ao sufoco,
me matando.
Me rasgue,
meu amor próprio
é meu.
Mas posso ser teu,
por opção, de coração.
Mas se me ver no porto
com vinho, deixe-me
sozinho.
À ver navios,
no rio da vida.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Desejo

''Desejo ao mundo
eterna felicidade
sem a corrupção
da vaidade.


 Desejo aos jovens apaixonados
amor sinceiro, respeito mútuo. 
Seus ideais entrelaçados.

Desejo ao homens coragem
de saber de sua força 
para a sua honra terem 
homenagem. 

Desejo a mulher a paz 
e honra de um bom homem 
pois sei que isso a satisfaz. 

Desejo as crianças uma família, 
sendo isso pessoas que as amem. 
Nem que seja em uma ilha. 

Desejo aos animais 
bons olhares 
pra que os humanos 
possam ser chamados de racionais. 

Mas pra mim
sei o que vejo, 
além do meu desejo, 
é o meu fim.''

Paulo Subbotin