Eu
procurava
no que se podia ver
da vida dela
algum resquício
meu.
Procurava alguma
linha que'u reconheceria
como uma memória minha
mesmo que fosse
de pluma.
Fotos, escritos, qualquer coisa.
Me senti uma bigorna
atravessando dia e noite,
varando cada hora.
A ansiedade se fez presente.
A demência, a paciência, ausente.
Não bebi um copo se quer.
Enxerguei com sobriedade
que'u estava onde não se vê,
lugar onde não há vaidade.
Comecei a perceber que
saudade não é só vontade.
Que amor não é só alegria,
que cada verdade pode ser
protegida por uma mentira.
E o homem não é feito
só de exatidão, paixão.
O que seria da humanidade
sem a mais bela ambiguidade ?
Tudo isso na espera de um cigarro.
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