quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Turvo

Não era o pesar do encerramento
que me preocupava, não esta explosão,
mas sim o silêncio que precedia o fim
e não deixava rastro de compaixão.

Minha cabeça caótica
não fundira-se
com a vida metódica.

Aconchegava-me o abrasivo
gosto de vinho barato
que me fazia pensante no futuro
de casa, meu, ato.

Chegava a noite quieta
para escutar cada súplico meu,
para oxigenar e ver o rosto teu,
te ver não era minha meta.

Te ver é uma canalização
dentro de minha visão
saindo desse afugentado coração
e voltava nessa estrada
de realidade e subjetividade
de cada segundo ao lado de tu,
esse foi-me o quadro
que me representa
a realidade.
que por mim
jamais sentida
foi.

Paulo Subbotin

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

9:15

Cigarros e café era diurnos, matutinos e noturnos,
todos encaixados em seus devidos turnos.
Porém o maior prazer estava nos matinais,
eu não comia mais com o leite os cereais.

Trabalhava seis horas por dia, em todos eles,
menos em um que era para dar a poesia uma garantia.
Bebia regularmente com espaço de tempos pouco extensos,
a vida tinha que ser mais do que isso, eu já sabia.

Passei a então a projetar-me na vida,
indo e vindo, conhecendo, tentado entender a partida
e fica a respirar no velejo do vento.

Minha garota estava longe, eu a beijara em sua ida,
eu e meus amigos aqui na loucura da matina.
Minha garota estava em minha, só que em seu tempo.

Eu aqui.

Paulo Subbotin

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Bohemia

'Quem és tu
que se veste
desse céu nu !?

Que mulher você é
que a mim não se deixa esquecer,
nem morrer !?

Eterna amante
que deixa o zipper da minha calça
pensante.

Saio de casa a sua procura
nas suas garrafas.
de loucura.

Marquei cada lugar
que nós dividimos o mesmo ar.
Ah, o lembrar.

Hoje quando olha pro alto,
fico te vendo de lugar pra lugar,
de salto em salto.

A noite vem
e fico a vida contemplar,
é tudo, pois bem.

Paulo Subbotin