domingo, 31 de agosto de 2014

Antes do pé tocar o asfalto

Gosto dos dentes amarelos,
da pele branca cortada, que outra hora
foi palco do sangue de honra
que representou alguns elos.

Uma pena eu sempre estar sozinho,
mas a vida é esse majestoso e
impiedoso, sábio, moinho.

Do meu caminhar torto no chão,
e não muito diferente na vida.
Eu clamava e brigava por razão,
por sempre estar de partida.

Gostaria de manter-me com alguém,
só que parece que nasci pra ser meu,
mas vejo algo, alguém no mais além.

A cama dela encharcada com 
o perfume do suor de seu corpo,
sempre me perguntei o que se escondia
dentro daquele sorriso de menina atrevida.

Mas eu sempre fui o sarjeta,
a noite sempre me abraçou e me amou
fazendo que nenhuma mulher se intrometa.

Depravo espiritualista cretino sangue bom,
eu sabia, por toda prática, que comigo havia um dom,
mas que, por céus, diabos era isso eu estava por descobrir,
mas por hora eu sempre tenho que ir.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Cheiro de Cigarro

Ela parecia um bistrô,
era toda cheias de retoques
desses de época retrô,
queria saber seu caminho do metrô.

Porque até então
eu só sabia em que ponto
ela descia do busão.

As pontas do cabelo
parecia a própria Fênix,
ela por si tem muito zelo.

Mas do que importava
tanta indagação ?
Eu só queria saber o que
nos em seus fones tocava.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Cigarro

Eu
procurava
no que se podia ver
da vida dela
algum resquício
meu.

Procurava alguma
linha que'u reconheceria
como uma memória minha
mesmo que fosse
de pluma.

Fotos, escritos, qualquer coisa.

Me senti uma bigorna
atravessando dia e noite,
varando cada hora.

A ansiedade se fez presente.
A demência, a paciência, ausente.

Não bebi um copo se quer.

Enxerguei com sobriedade
que'u estava onde não se vê,
lugar onde não há vaidade.

Comecei a perceber que
saudade não é só vontade.

Que amor não é só alegria,
que cada verdade pode ser
protegida por uma mentira.

E o homem não é feito
só de exatidão, paixão.

O que seria da humanidade
sem a mais bela ambiguidade ?

Tudo isso na espera de um cigarro.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre Mulheres e Garrafas III

Para as que vi
e as que não me viram.
Para as que amei.
Aliás, amo todas.

Vocês não me levam
a sério, ou
eu que não sei
o que é sério ?

Me endivido com vocês,
permita.
Pago com amor,
sempre que pedirem.
Seja a hora que for.

Deixe-me entrar
em você,
pago com amor e
tu que esqueça a dor.

Financie esse amor meu
somente com o teu.
Dos sentimentos sou proteu.

Paulo Subbotin

Sobre Mulheres e Garrafas

Mulheres são lindas,
também quando mentem.
Elas, sem olhar,
não sei como se entendem.

Mulheres são lindas,
quando transam.
Fingindo ou não,
gosto de ver quando gozam.

Mulher é linda,
quando surta.
parece até gaivota.

Mulher é linda,
quando morre.
Mas prefiro pratos quentes.

Paulo Subbotin

Sobre Mulheres e garrafas

Em belas coxas
gostaria de ter
as minhas mãos,
ou o garfo.
Enfim, comer.

Falar sujamente
igualmente
ao pensar.
Imaginar sem
simbolizar
o que aconteceu
ao transar.

Pernas e garrafas
abertas.
A ordem dessas
não importa.

O que a garrafa tem,
elas não.
Esse o que pode
me levar o que
elas possuem
e o inverso !?

Acabaram
em vários versos
no universo do animal
racional.''

Paulo Subbotin

Da Fazendinha

''Triste corote,
fico feito coiote
à sede do deserto.

Não é fácil,
no calor quem lembra
o que é
certo !?

A primeira vez,
é certo dizer que,
será  sempre,
é a primeira vez ?

Mais linha até
a meia noite
Ser forte, fazendo um forte.''

Paulo Subbotin

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Toque

''A brincadeira
que disfarçava
o querer da carne
com infantil bandeira
foi o intervalo
que sempre 
antecede o
penetrar 
das palavras no
transmutar 
da conversa 
do corpo.

A manhã fria
que me aguardava
fez contraste com
a minha mente 
que esquentava
por cada segundo
que o filme da
noite anterior
me fazia ver
o ser humano
imundo
que podemos ser.

Eu me sentia bem 
porque sabia
que nesse barco
sempre tinha mais alguém,
se não todo mundo
passando por dentro
desse arco
chamado consciência.

Pecado, como tu é belo !
Como tu ao mesmo tempo
que me empurro
para fora 
e me puxo
para dentro 
dela.
Minha sã demência.''

Paulo Subbotin

domingo, 17 de agosto de 2014

Uma Noite de Vinho Pecado

''O rosto dela
era tão fino,
quanto uma faca,
 e parecia gritar
algum hino.

Fiquei queto,
percebendo sempre,
porém assistindo,
o seu aproximar
inquieto.

Pelas garrafas de vinho,
''Saúde'' eu digo
Brindando ao pecado
que não se faz sozinho.

Da saliva embrigada
até a queda
das escadas,
impressionei-me
com a velocidade
da confusão.

Não há o que fazer
além de esperar
outros dias
de diversão.''

Paulo Subbotin

domingo, 10 de agosto de 2014

Uma Foto Não Tirada de Uma Flor

''Imagem é apenas imagem,
sendo que
o que eu fiz
foi muito mais além
do que qualquer
poema poderia
deflagrar cada gota
de sangue que aqueceu-se
ao contato do lábio
do beijo guardado.
Quase sufocado.

O mesmo convite
de entrada de
uma vida em outra
é também uma,
de viagem,
despedida.

Mais
além do
rabiscar
indescritível do
amar.

Muito
além do
raciocinar
indescritível
do amor.

Isso é sentir.''

Paulo Subbotin