domingo, 31 de agosto de 2014

Antes do pé tocar o asfalto

Gosto dos dentes amarelos,
da pele branca cortada, que outra hora
foi palco do sangue de honra
que representou alguns elos.

Uma pena eu sempre estar sozinho,
mas a vida é esse majestoso e
impiedoso, sábio, moinho.

Do meu caminhar torto no chão,
e não muito diferente na vida.
Eu clamava e brigava por razão,
por sempre estar de partida.

Gostaria de manter-me com alguém,
só que parece que nasci pra ser meu,
mas vejo algo, alguém no mais além.

A cama dela encharcada com 
o perfume do suor de seu corpo,
sempre me perguntei o que se escondia
dentro daquele sorriso de menina atrevida.

Mas eu sempre fui o sarjeta,
a noite sempre me abraçou e me amou
fazendo que nenhuma mulher se intrometa.

Depravo espiritualista cretino sangue bom,
eu sabia, por toda prática, que comigo havia um dom,
mas que, por céus, diabos era isso eu estava por descobrir,
mas por hora eu sempre tenho que ir.


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